O ciclo de lives sobre Envelhecimento e a Deficiência intelectual, realizado pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Jô Clemente, trouxe em um dos seus temas a discussão sobre o isolamento social, perdas e luto na pandemia, ao considerar que este tem sido um aspecto que vem atingindo a todos, buscamos falar sobre o que este impacto vem causando na pessoa com deficiência intelectual e seu cuidador, para esta conversa convidamos duas especialistas para compartilharem suas experiências.

A pandemia do COVID-19 traz à tona diversas reflexões sobre a população com deficiência intelectual desde a necessidade de uma comunicação facilitada sobre o coronavírus, sua forma de contágio, as medidas de proteção até a adaptação ao isolamento social.

O município de São Paulo, oferece uma vasta rede de suporte social, porém mesmo assim já antes mesmo da pandemia, pessoas com deficiência intelectual vivenciavam o isolamento social não tendo acesso às redes de educação, saúde, assistência, cultura, lazer, onde permaneciam a margem da vulnerabilidade social e até muitas vezes sofrendo violação de direitos.

Mas, vamos considerar aqui aquelas pessoas com deficiência intelectual que mantinham sua rotina de estudo, de trabalho, de atividades, de lazer, ou seja, aquelas que vivenciam de alguma maneira a inclusão social. É claro que a necessidade do isolamento social traz perdas, angústia, medo, insegurança para todos.

Num primeiro momento, o que vem a tona é a preocupação, é protegê-las do contágio. Para isso, as informações devem ser claras, a insistência nos cuidados pode se tornar cansativo e estressante para o cuidador de pessoas com deficiência intelectual, considerando os com déficit cognitivo maior e as habilidades adaptativas como “segurança e saúde”, “cuidados pessoais” mais comprometidas ou com aquelas que apresentam risco aumentado de gravidade da doença por terem doenças crônicas.

O isolamento social e a perda das atividades que já eram rotina na vida da pessoa com deficiência intelectual traz à tona que papel e lugar ocupam no núcleo familiar. Considerando que os com maior adaptação à privação serão aqueles que participam das tarefas rotineiras, que vivenciam a inclusão em sua própria casa, vale ressaltar que esse é um ponto de importante reflexão, sendo que o processo de inclusão deve ser de dentro para fora. Assim é preciso valorizar e investir nas potencialidades da pessoa com deficiência intelectual desde sua infância.

Por não ter vivenciado esse paradigma, as pessoas com deficiência intelectual que já se encontram em envelhecimento, que passaram grande parte de sua vida em atividades educacionais, ocupacionais e mesmo de trabalho em formatos segregatórios, encontram maior dificuldade neste momento. Perdas, tais como não estar semanalmente com amigos, ficar sem atividades, não encontrar parentes significam pequenos lutos aos quais cuidadores e equipes técnicas de referência devem estar atentas.

Neste momento a atenção pode ser traduzida em escuta, no envio de atividades pelo whatsApp por parte das equipes que estão envolvidas diretamente no atendimento, no envolvimento do núcleo familiar em tornar a pessoa com deficiência intelectual participante, ouvida e acolhida.

Durante a live, abordamos ainda o risco de violência aumentado diretamente proporcional ao stress do cuidador, as perdas educacionais e funcionais que o isolamento trará, o significativo distanciamento de condições sociais e econômicas, o uso da tecnologia em favor de alguns e inacessível para muitos. E o quanto todos estes aspectos se bem atentos e trabalhados por todos podem amenizar de alguma maneira os impactos causados por esse momento tão desafiador para todos.

Você pode ver como foi a live sobre “Isolamento social, perdas e luto na pandemia” no vídeo abaixo.

Autoras

Luciana Fonseca é graduada em Psicologia e especialista em Neuropsicologia, doutora pela Faculdade de Medicina da USP/ IPQ, atualmente é Pós Doutoranda pela Universidade do Estado de Washington, Estados Unidos.

Luciana Stocco é graduada em Serviço Social. Atualmente é Supervisora do Jurídico Social do IJC.

Leila Castro é Supervisora do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação do IJC e Mestranda em Ciências do Envelhecimento pela Universidade São Judas Tadeu.