Crianças amam brincar, e além de ser um momento divertido, a brincadeira é um exercício de aprendizado. “Brincar proporciona vivências e conhecimento, e pode ser em qualquer lugar. Brincar além de ser prazeroso é essencialmente pedagógico. É dar a criança a oportunidade de aprender usando todos os sentidos, por isso valorizamos tanto o brincar, é um direito fundamental de toda criança”, afirma Roseli Olher, Supervisora do Atendimento Educacional Especializado do Instituto Jô Clemente (antiga APAE de São Paulo).

Os jogos e atividades desenvolvem, de forma lúdica, a inteligência emocional, o raciocínio lógico, a autonomia, o respeito ao colega, a sociabilidade e a autoconfiança. “A criança brincando aprende a enfrentar seus medos, suas limitações, regras e limites. Brincar é um dos principais meios de aprendizagem da criança e permite o desenvolvimento da coordenação motora ampla, da coordenação motora fina, desenvolve a comunicação, habilidades de aspectos sociais e cognitivos e melhora o convívio. Por isso é tão importante à garantia da convivência em escolas comuns. A ludicidade é um assunto que tem conquistado espaços na educação infantil, por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permitir um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento da aprendizagem. A proposta do brincar dentro das escolas e na educação infantil é o aprender com o outro. Todos nós aprendemos brincando”, completa Roseli.

Cada fase, uma brincadeira

Cada fase da infância tem uma atividade ideal para o desenvolvimento motor e o aprendizado. Oferecer a brincadeira certa para a idade vai garantir aquelas gargalhadas tão boas de ouvir.

Bebê

O bebê desenvolve os sentidos brincando com as mãos e pés e, com o passar da idade, sons, texturas, cores e formatos vão chamar sua atenção. A diversão virá com mordedores e brinquedos que ele pode agarrar e manusear.

Um pouco maior, com quase 10 meses, brinquedos que emitem sons e opções de encaixar são boas opções para estimular os sentidos. Nessa idade também pode oferecer cubos de empilhar, tapetes com sons e livrinhos de pano ou próprios para a área do banho com figuras grandes.

Hora de engatinhar

A criança começa a engatinhar entre os 10 meses e 1 ano e descobre o mundo à sua volta. As músicas o ajudam a reconhecer seu corpo com a dança, por isso, inclua nas brincadeiras sons e brinquedos que permitem o vai e vem, como cavalinhos.

Pequenos passos

Quando a criança já está andando é preciso trabalhar o equilíbrio e a coordenação e, para essa fase, brinquedos com rodinha, que elas podem empurrar, vão dar a noção de espaço e peso, assim como os blocos de montar, que mostram formatos e tamanhos.

Fase da coordenação motora

Entre os 2 e 3 anos, a criança precisa de brincadeiras que pedem mais coordenação motora, como montar quebra-cabeça com peças grandes e simples, cubos que formam imagens e pedalar no triciclo. O refazer se tornará uma alegria, por isso, escolha atividades de desmontar e bonecas que trocam de roupa. Cuidado com peças pequenas e aproveite para brincar junto e fortalecer os laços com os pequenos.

Massinha, tintas e rabiscos

Dos 3 aos 5 anos a criatividade da criança está em alta, e atividades com massinhas de modelar, tintas, lápis e papel são ideais. Brincar com fantoches e contar histórias e com instrumentos musicais também desenvolvem a imaginação.

Agora já sou grande!

Com 5 ou 6 anos a criança já tem mais autonomia e começa a construir sua personalidade. Passa a escolher roupas e se sente mais livre para decidir algo para si. Atividades que permitem o convívio com as outras crianças desenvolvem a comunicação e o respeito pelo próximo.

Vamos para a escola

A criança gosta do novo, de aprender e fazer descobertas, e a brincadeira é importantíssima para essa fase. Atividades lúdicas ganham mais espaço e criar o próprio brinquedo, como uma pipa ou a cabaninha de dormir vai desenvolver o raciocínio lógico, assim como os jogos de tabuleiro, que trabalham a compreensão, a comunicação, a concentração, a inteligência emocional e o papel de liderança.

Roseli explica que, assim como nas outras fases da vida da criança, os jogos e brinquedos são os mesmos para todas as crianças, mas no caso dos pequenos com deficiência intelectual, talvez seja preciso que o educador flexibilize algumas regras ou simplifique a brincadeira. Assim todos os participantes das brincadeiras vão entender e aprender. “Brincar favorece a inclusão, a interação com o outro, e as escolas de educação infantil favorecem muito essa interação. Permitir a convivência entre crianças com e sem deficiência garante o aprendizado. E todos têm direito a educação!”, finaliza Roseli.