Muitas famílias, ao receberem o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), buscam entender o motivo. É comum surgirem dúvidas sobre culpa, histórico familiar ou se algo poderia ter sido evitado.

A resposta é simples! Sim, a genética tem um papel importante no TEA, mas ela não explica tudo sozinha.

A ciência mostra que o TEA pode estar ligado a diferentes fatores genéticos, biológicos e ambientais, que se combinam de formas únicas em cada pessoa. Por isso, ele é considerado uma condição complexa e multifatorial. O termo “espectro” indica que o TEA pode se manifestar de formas diferentes em cada pessoa, com diferentes níveis de apoio no dia a dia.

A genética influencia o TEA?

Sim. Pesquisas indicam que muitas pessoas Autistas apresentam variações genéticas que podem influenciar o desenvolvimento do cérebro desde o início da vida.

Essas variações podem:

· ser herdadas da família;
· ou surgir de forma espontânea, mesmo sem histórico familiar direto.

Mas é importante entender: não existe um único “gene do TEA”.

A Linha de Cuidado para o TEA, do Ministério da Saúde, aponta que há forte influência genética, mas que o TEA é geneticamente heterogêneo. Isso significa que ele pode envolver diferentes alterações e se apresentar de muitas formas. A mesma fonte também destaca que não há, até o momento, um biomarcador específico para confirmar TEA sozinho.

Existe um gene do TEA?

Não. Até o momento, a ciência não reconhece um único gene responsável pelo autismo.

O que existe são múltiplas variações genéticas que podem estar envolvidas no TEA. Isso ajuda a explicar por que o espectro é tão amplo e por que cada pessoa Autista tem características, habilidades, necessidades e formas de se comunicar diferentes.

Um estudo brasileiro conduzido pela Dra. Anita Brito, coordenadora do Centro de Neurodesenvolvimento e Reabilitação (CNR) do Instituto Jô Clemente (IJC), pesquisadora do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do IJC e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), investigou componentes de risco relacionados ao TEA em participantes do Projeto A Fada do Dente. A pesquisa reforça a importância de olhar para fatores familiares, genéticos e do desenvolvimento de forma integrada.

O TEA é causado só pela genética?

Não. Embora a genética seja importante, ela não age sozinha.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, diferentes fatores podem aumentar a probabilidade de uma criança estar no espectro, como idade parental avançada, diabetes materna durante a gestação, prematuridade, complicações no nascimento e baixo peso ao nascer.

Esses fatores, sozinhos, não explicam totalmente o TEA. Eles podem fazer parte de uma combinação mais ampla, que varia de pessoa para pessoa.

O ambiente também pode influenciar?

Sim, mas é importante entender o que a ciência quer dizer com “ambiente”.

Nesse contexto, inclui tudo o que pode influenciar o desenvolvimento desde a gestação, como:

· saúde da gestante;
· situações de estresse intenso;
· falta de suporte social;
· exposição a algumas substâncias;
· intercorrências durante a gravidez ou o parto;
· fatores biológicos do bebê, como prematuridade.

Isso significa que oTEA não acontece por uma atitude isolada, por falta de cuidado ou por algo que alguém “fez errado”.

Como genética e ambiente se encontram?

Não existe um grupo de pessoas Autistas “só por genética” e outro “só por ambiente”.

O que existe é uma combinação entre esses fatores. A genética pode criar uma predisposição, e fatores biológicos, ambientais e psicossociais podem interagir com essa base durante o desenvolvimento do cérebro.

Por que essa informação é importante para as famílias?

Entender que o TEA envolve uma combinação de fatores ajuda a:

· afastar a culpa: ninguém “causa” o autismo;
· buscar apoio mais cedo: quanto antes a família procura orientação, mais cedo a criança pode receber suporte adequado;
· valorizar o cuidado: um ambiente acolhedor, com terapias adequadas, escuta e apoio emocional, pode fazer diferença na qualidade de vida;
· respeitar cada pessoa: cada pessoa Autista tem seu próprio jeito de se comunicar, aprender e participar do mundo.

Estamos aqui para apoiar o desenvolvimento do seu filho!

No Instituto Jô Clemente (IJC), o Centro de Neurodesenvolvimento e Reabilitação (CNR) conta com uma equipe especializada para acolher famílias, realizar avaliação diagnóstica e acompanhar o desenvolvimento infantil de forma cuidadosa, integrada e humanizada.

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