Comunicar não é apenas falar ou escrever. É abrir portas para que todas as pessoas possam participar da vida em sociedade.
Quando a comunicação é difícil, com palavras complicadas e frases longas, algumas pessoas ficam de fora. Você já foi visitar um país que não falava seu idioma e você teve que conversar? Ou alguém já te fez uma pergunta que você não sabia o significado de uma palavra? Como se sentiu? Confuso, confusa? Inseguro, insegura? Se sentindo excluído, excluída? Se sentindo incapaz?
Pois bem, é assim que muitas pessoas se sentem todos os dias quando encontram textos complicados, cheios de termos técnicos, siglas e frases muito longas. A informação está ali, mas parece que foi escrita em outra língua.
Para Niklas Luhmann, sociólogo, a comunicação é central em todos os sistemas sociais e vai além da fala ou da escrita, envolvendo meios que permitem interação e construção da realidade social. Usando uma linguagem simples, Niklas Luhmann quer dizer: “comunicar é muito importante para a sociedade. A comunicação não é só falar ou escrever, mas também usar outros meios que ajudam as pessoas a se entender, trocar ideias e construir a vida em sociedade.” (Luhmann, N. (1995). Social Systems. Stanford University Press).
Por isso, a Linguagem Simples é essencial. Ela ajuda a transformar ideias em mensagens objetivas, diretas e acessíveis. Assim, garantimos que todas as pessoas, inclusive as com Deficiência Intelectual, possam entender informações que fazem parte de suas vidas.
A Linguagem Simples é um recurso de acessibilidade importante, pois ela garante o acesso à informação às pessoas com Deficiência Intelectual e de baixo letramento. Ter acesso à informação não é um favor, é um direito.
Stephanie Lima, pessoa com Deficiência Intelectual, assistente de Advocacy da área de Defesa e Garantia de Direitos do Instituto Jô Clemente (IJC) faz recomendações importantes. Anota aí:
- Usar frases curtas e diretas.
- Preferir letras grandes, que facilitam a leitura.
- Incluir imagens que ajudem a explicar o texto.
- Colocar legendas para palavras difíceis.
- Organizar as siglas em cores diferentes. Exemplo: IJC Instituto Jô Clemente.
- Sempre explicar o que cada sigla significa na primeira vez em que aparece.
Quando usamos palavras acessíveis, não diminuímos o conteúdo, mas multiplicamos as possibilidades. É como trocar um mapa cheio de símbolos complicados por um caminho sinalizado com placas visíveis para todos.
A Linguagem Simples não serve para reduzir o uso das palavras nem deixar os textos fracos. Ela existe para facilitar a compreensão e garantir que mais pessoas entendam o que está sendo dito.
A inclusão nasce justamente daí, ou seja, quando a linguagem não exclui, mas convida. Pessoas que antes ficavam afastadas por não compreender termos técnicos, frases longas ou estruturas confusas passam a ter espaço para opinar, decidir e participar da vida social em igualdade de condições.
E isso se conecta com a acessibilidade. Assim como rampas permitem que cadeirantes circulem livremente, a linguagem simples é a rampa que garante o direito de acesso à informação. Tornar o que comunicamos compreensível é respeitar a cidadania, é reconhecer que cada pessoa tem o direito de entender e ser entendida.
É importante informar que existe um projeto de lei (PL 6256/2019), de autoria da deputada Érika Kokay (PT-DF), que foi aprovado na Câmara dos Deputados em dezembro de 2023. O objetivo é garantir que todo órgão público, seja da União, dos estados, dos municípios ou do Distrito Federal se comunique de forma clara, objetiva e acessível a todo mundo, criando uma Política Nacional em Linguagem Simples.
Comunicar é, acima de tudo, uma forma de interagir com o outro, de criar vínculos e possibilitar participação. A Linguagem Simples é um recurso que torna isso possível, ajudando todos a entender e participar.
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